Estudo alertou há mais de um ano sobre alto risco de deslizamento de barreira que matou mãe e bebê em Olinda
Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Olinda, no Grande Recife, mapeou pontos de risco da cidade. Levantamento aponta que barreira que matou mãe e bebê na sexta (1°), em Passarinho, tinha risco muito alto de deslizamento
Há mais de um ano, a Prefeitura de Olinda foi informada sobre o alto risco de deslizamento da barreira localizada em Passarinho e que desabou no último dia 1º, matando uma mãe e um bebê de seis meses. A informação constava do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) da Marim dos Caetés elaborado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Ministério das Cidades.
O estudo foi publicado em agosto de 2025. No entanto, informações preliminares sobre regiões com risco de inundação e deslizamento foram fornecidas à Prefeitura de Olinda em fevereiro do ano passado, segundo o professor responsável pela coordenação do projeto.
"O alerta foi feito desde o primeiro trimestre de 2025, quando houve atualizações (no projeto). Há um ano eles estão cientes”, comentou o professor do departamento de ciências geográficas da UFPE Fabrizio Listo, em entrevista ao Diario.
O plano mapeia as áreas com maior potencial de risco de inundações e deslizamentos em regiões periféricas de Olinda. Além disso, o estudo apresenta também, para a Prefeitura de Olinda, propostas de intervenção nestes pontos, dos pontos de vista estrutural e não estrutural.
A barreira que deslizou na sexta (1°) e matou Bruna Karine da Silva, de 20 anos, e o filho dela, um bebê de 6 meses, em Passarinho, está mapeada no estudo como risco “R4”, que representa risco muito alto de deslizamento.
Perfil
O mapeamento de risco abrangeu 26 bairros do município de Olinda. São eles: Águas Compridas, Aguazinha, Alto da Bondade, Alto da Conquista, Alto da Nação, Alto do Sol Nascente, Amaro Branco, Bonsucesso, Caixa d'Água, Casa Caiada, Fragoso, Guadalupe, Jardim Atlântico, Jardim Brasil, Monte, Ouro Preto, Passarinho, Peixinhos, Rio Doce, Salgadinho, Santa Teresa, Sapucaia, Sítio Novo, Tabajara, Varadouro e Zona Rural.
Ao todo, foram registradas 241 regiões de riscos nos bairros olindenses avaliados. Destas áreas, 164 (68%) têm risco de deslizamentos e 77 (32%) risco de inundações.
Do total, 54 regiões (22,41%) foram classificadas com Risco Médio (R2), enquanto 103 (42,74%) receberam classificação de Risco Alto (R3). Por fim, 84 pontos (34,85%) foram registrados com Risco Muito Alto (R4).
A pesquisa também apontou que há 14.005 moradias em áreas de risco. Além disso, 42.015 moradores da cidade residem em áreas de risco, segundo as informações divulgadas.
O que diz a prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Olinda informou que a área onde ocorreu o deslizamento, no bairro de Passarinho, já era considerada de risco e vinha sendo monitorada pelo município. Segundo a gestão, o local havia recebido intervenções preventivas, como instalação de lonas e geomantas em alguns trechos.
Ainda de acordo com a prefeitura, a família envolvida na ocorrência registrada na última sexta-feira (1º) foi orientada pela Defesa Civil a deixar a residência durante o período de fortes chuvas.
A gestão municipal também destacou que vem ampliando os investimentos em obras de contenção de encostas e informou que cerca de R$ 80 milhões já foram captados para ações em áreas de morro, entre obras em andamento, em licitação e projetos em elaboração.
Segundo a prefeitura, todas as áreas classificadas como de risco integram o cronograma de intervenções do município e recebem ações gradativas conforme planejamento técnico.







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