Corte de R$ 200 bilhões de Flávio pode eliminar 2,2 milhões de empregos, diz Dieese
Na distribuição simulada pelo Dieese, 51% do corte recairia sobre transferências de renda, como Previdência Social, BPC, seguro-desemprego e abono salarial
O corte de cerca de R$ 200 bilhões nos gastos federais proposto pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) eliminaria 2,2 milhões de postos de trabalho em 2027, segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), entidade de pesquisa mantida por sindicatos. O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (22) e feito a pedido das centrais sindicais.
A simulação parte de um corte de R$ 194 bilhões, o equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o Dieese, o ajuste reduziria o PIB em 1,55% em relação a um cenário sem corte e diminuiria em R$ 68,7 bilhões a massa salarial, total pago em salários aos trabalhadores, no primeiro ano de um eventual governo.
O estudo também calcula que a queda da atividade reduziria a arrecadação de impostos em R$ 46,8 bilhões. Isso consumiria 40% da economia bruta obtida com o corte. O resultado primário, saldo das contas do governo antes do pagamento de juros, ficaria em cerca de R$ 89 bilhões, ou 0,7% do PIB. Segundo o Dieese, mesmo no cenário mais otimista isso não bastaria para estabilizar a dívida pública em relação ao PIB.
Cenários para 2027
No cenário mais otimista, a economia cresceria 0,91%, ritmo que o Dieese considera insuficiente para absorver os novos trabalhadores que chegam ao mercado. No pessimista, haveria recessão, com queda de 0,15% do PIB. O número de desempregados subiria de 5,8 milhões para 7,4 milhões, e a taxa de desocupação ficaria entre 6,5% e 7%.
Quem seria atingido
Na distribuição simulada pelo Dieese, 51% do corte recairia sobre transferências de renda, como Previdência Social, Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego e abono salarial. Outros 17% atingiriam despesas com pessoal, e 32%, as demais despesas públicas.
Segundo o Dieese, nem Flávio nem sua equipe econômica detalharam publicamente como chegariam ao corte. Por isso, o estudo trabalha com a hipótese de congelamento das despesas primárias em termos reais, ou seja, corrigidas apenas pela inflação, estimada em 4,5%.
A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), ligada à Central Única dos Trabalhadores, Juvandia Moreira afirmou que os dados mostram ser "impossível um corte de R$ 200 bilhões sem impactos negativos em benefícios sociais, na Saúde, Educação, fim do aumento real no salário mínimo e, consequentemente, nas aposentadorias do INSS".
Moreira disse ainda que a proposta exigiria mudar regras da Constituição, como a vinculação do piso previdenciário ao salário mínimo e os percentuais mínimos de receita destinados à Saúde e à Educação.
Decretos
Aliados de Flávio, de acordo com o Correio Braziliense, dizem que o senador tem 200 decretos prontos para assinar no primeiro dia de governo. A maioria trataria de normas trabalhistas, incluindo medidas para reverter a emenda constitucional que acabou com a escala 6x1 e regras da jornada de trabalho.
Os textos incluiriam ainda a privatização de estatais, a restrição da fiscalização ambiental sobre áreas de vegetação e a extinção de conselhos, comitês e grupos de trabalho no Executivo.






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