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Arcoverde,06/10/2026

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Fiscalização encontra condições degradantes em canaviais após denúncias de mais de 800 cortadores de cana-de-açúcar

Auditoria Fiscal do Trabalho constatou falta de banheiros, de locais para refeições e de equipamentos de proteção na Zona da Mata de Pernambuco.

Mais de 800 cortadores de cana-de-açúcar denunciaram condições degradantes de trabalho em plantações da Zona da Mata Norte e Sul de Pernambuco. Uma operação de fiscalização da Auditoria Fiscal do Trabalho constatou problemas como falta de banheiros, de locais para refeições e de equipamentos de proteção

Segundo Luciano Simões, auditor fiscal do Trabalho e coordenador da operação, foram registrados casos de pessoas que se cortaram usando o próprio facão durante o trabalho, pois não tinham proteção adequada. Os trabalhadores denunciaram que não recebiam protetor solar nem luvas.

"As irregularidades encontradas foram diversas, inclusive a falta de água potável para beber, que os trabalhadores tinham que trazer de casa para poder beber. Falta de local para alimentação, falta de banheiro e a falta de equipamentos de proteção individual. Dentre outras irregularidades, como a ausência de assinatura de carteira [de trabalho] e uma possível fraude em algumas assinaturas de carteira em alguns contratos encontrados com os trabalhadores", disse o auditor.

Ainda de acordo com a Auditoria Fiscal do Trabalho:

  • Foram fiscalizadas aproximadamente 70 frentes de trabalho em mais de 20 municípios, entre eles Gameleira, Itambé, Água Preta, Nazaré da Mata, Sirinhaém, Palmares, Timbaúba, Escada, Rio Formoso, Aliança, Vicência e Ribeirão;
  • Entre os trabalhadores, 437 estavam formalmente registrados, ao menos 166 não tinham registro na carteira de trabalho, e 204 estão com a situação contratual sob investigação;
  • Levantamento apontou, pelo menos, 230 trabalhadores sem protetor facial contra lesões, deixando o rosto e os olhos expostos durante o corte da cana-de-açúcar.

A fiscalização no meio rural é feita durante o ano todo, segundo o auditor fiscal. A operação foi realizada de 21 a 25 de setembro de 2026, no período do começo da safra, por causa do início do corte da cana-de-açúcar.

Durante a auditoria, não houve reclamação dos funcionários em relação a atraso dos pagamentos. Porém, essa questão ainda vai ser apurada durante as investigações da Auditoria Fiscal do Trabalho, que segue em andamento.

Os empregadores que atuavam com irregularidades foram notificados durante a fiscalização para que regularizem a situação dos trabalhadores e apresentem documentos solicitados pela auditoria. Caso eles não comprovem que os ajustes foram feitos, podem ser aplicados autos de infração.

"Existe uma irregularidade que estamos apurando, que é essa questão da fraude, que são as carteiras assinadas por empreiteiros que não têm condições de assinar essa carteira. E, para mascarar a assinatura dessa carteira, eles registram, mas depois, quando acaba esse período de corte [da cana], os trabalhadores são demitidos e não recebem nada", afirmou Luciano Simões.




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