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Arcoverde,06/11/2026

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Crise bancária no Paraguai leva presidente Santiago Peña a renunciar após escândalo envolvendo banco Ueno

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise política e financeira envolvendo o banco digital Ueno.


Crise bancária no Paraguai leva presidente Santiago Peña a renunciar após escândalo envolvendo banco Ueno

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma crise política provocada por um escândalo envolvendo o banco digital Ueno. A instituição financeira, uma das maiores emissoras de cartões de crédito do país, enfrenta problemas financeiros e é alvo de investigações por suspeitas de irregularidades.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, Peña pediu desculpas à população e afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país e na preservação das instituições democráticas.

"Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas", declarou o agora ex-presidente.

A crise ganhou força após o fechamento de agências do Ueno, que possui aproximadamente 3 milhões de clientes e deixou milhares de pessoas sem acesso aos próprios recursos. Entre os afetados estão aposentados que recebem benefícios do governo por meio da instituição.

Peña também havia sido acionista do grupo controlador do banco até março de 2025. A ligação do ex-presidente com a instituição aumentou a pressão política sobre seu governo, especialmente diante das suspeitas de irregularidades e das críticas à atuação dos órgãos de fiscalização.


Crise bancária provocou renúncia do presidente do Banco Central

Antes da renúncia de Peña, o presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, também anunciou sua saída do cargo, na terça-feira (3). A decisão ocorreu em meio às críticas sobre a fiscalização do Ueno e à repercussão do caso no cenário político.

Carvallo havia comandado o próprio banco até agosto de 2023 e passou a ser questionado por parlamentares sobre a supervisão da instituição financeira.

Após ajustes em seus balanços, o índice de solvência do Ueno, que mede sua capacidade de cumprir obrigações financeiras, caiu para menos da metade do mínimo exigido.

Diante da situação, o Banco Central iniciou procedimentos para proteger os depositantes e limitar possíveis impactos sobre o sistema financeiro. O Ministério Público também solicitou a abertura de uma investigação criminal e determinou a prisão de oito pessoas ligadas à instituição.

Os investigadores apuram, entre outras suspeitas, se o banco teria financiado indiretamente a venda de uma carteira de ativos de uma empresa ligada ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno.


Congresso ameaçava abrir processo de impeachment

A crise também provocou forte desgaste político para Santiago Peña. Antes do anúncio da renúncia, o Congresso paraguaio já havia iniciado os primeiros movimentos para votar um possível impeachment contra o presidente e seu vice.

A oposição questionava a relação de Peña com o grupo controlador do banco e acusava o Banco Central de não ter atuado adequadamente diante das irregularidades investigadas.

Diante da repercussão, o governo anunciou um acordo com lideranças do Congresso para acelerar a votação de um projeto que autoriza a utilização do Fundo de Garantia de Depósitos para assegurar pagamentos aos clientes afetados.

Peña também defendeu a devolução de recursos públicos mantidos na instituição, incluindo valores pertencentes ao Instituto de Previdência Social (IPS) e a outros fundos públicos.

Apesar da gravidade do caso, o Banco Central afirmou que a situação do Ueno é isolada e não representa um problema generalizado no sistema financeiro paraguaio.


Peña pede desculpas e diz que ninguém está acima do Paraguai

Na mensagem de renúncia, Santiago Peña afirmou que sua prioridade é garantir a tranquilidade da população e proteger as economias dos paraguaios.

O ex-presidente também pediu desculpas caso tenha falhado durante sua gestão e destacou a importância de preservar a estabilidade institucional do país.

"Meu maior desejo é que se garanta a devolução desses recursos, que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra a sua finalidade e que sejam protegidos os fundos públicos e os recursos que pertencem a todos os paraguaios", afirmou.

Ao concluir o comunicado, Peña reforçou que nenhuma pessoa ou cargo deve estar acima dos interesses nacionais.

"Nenhum cargo é mais importante do que a estabilidade da República; nenhuma pessoa está acima do Paraguai", declarou.

A renúncia ocorre em um dos momentos mais delicados da política paraguaia nos últimos anos, com investigações financeiras, questionamentos sobre a atuação das autoridades e incertezas sobre a recuperação dos recursos dos clientes do banco Ueno.




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